Delegado diz que conhecia Cachoeira e sabia de esquema de contravenção

“Eu não tinha nenhuma dúvida de que ele era contraventor”, afirmou aos parlamentares.

Versanna Carvalho e Gabriela Lima Do G1 GO

Delegado Hylo Marques Pereira, em depoimento
à CPI da Delta (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

O delegado da Polícia Civil Hylo Marques prestou depoimento na sessão da CPI da Delta na Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia, nesta terça-feira (3). Quinto policial a ser ouvido pela comissão, ele foi o primeiro a admitir que sabia da existência do esquema supostamente montado pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Eu não tinha nenhuma dúvida de que ele era contraventor”, afirmou aos parlamentares.

Marques é o ex-titular do 1º Distrito Policial (DP) de Águas Lindas, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal, onde a quadrilha de jogos ilegais teria uma forte presença. Atualmente, ele é titular do 2º DP de Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia. O delegado é citado por pessoas apontadas pela Polícia Federal como integrantes do grupo de Cachoeira em várias ligações telefônicas interceptadas pela Operação Monte Carlo.

O policial disse na CPI que conhece o suposto chefe da máfia dos caça-níqueis há mais de 20 anos, desde 1991. Segundo ele, isso acontece porque ele é da mesma cidade do contraventor: “Muita gente em Anápolis sabe quem é Cachoeira”.

Aos parlamentares, afirmou conhecer Lenine de Araújo Souza, apontado como contador do grupo, desde 2009. Apesar de admitir conhecer Cachoeira e também alguns dos seus supostos parceiros, entre eles um suposto dono de cassino, Marques assegurou não ter nenhum envolvimento com o esquema de caça-níqueis.

Facções
Segundo o delegado, há outros grupos ligados à exploração de jogos de azar. “Não existe só o Carlinhos Cachoeira mexendo com jogo. Tem muitas facções aí. É uma guerra entre eles”, declarou. No entanto, ao ser questionado sobre quem seriam as outras pessoas envolvidas, disse não saber.

Ele também contestou trechos do inquérito da Operação Monte Carlo. Em uma dessas interceptações, um dos parceiros de Cachoeira teria afirmado que o delegado havia recebido R$ 5 mil. Segundo o policial, pessoas do grupo assediavam membros da Polícia Civil, mas nunca se aproximaram dele. “Em momento algum prevariquei”, garantiu.

Um dos momentos mais controversos do depoimento do policial ocorreu quando ele afirmou ter participado de uma reunião com Carlinhos Cachoeira em Goiânia, em um prédio que ele acredita ser a sede da Delta, na região do Jardim Goiás. Segundo o policial, o encontro ocorreu porque ele é procurador de um terreno em Águas Lindas de Goiás e que havia o interesse de que a Delta implementasse um empreendimento imobiliário no local.

O relator da CPI, Talles Barreto (PTB), perguntou a Marques se ele, como um delegado, não pensou que pudesse ser estranho procurar um contraventor para fazer negócio. Ele respondeu que não achava estranho. “A minha intenção era empreender”, explicou.

Hylo Marques afirmou que mesmo durante essa reunião na Delta, Cachoeira nunca lhe pediu nada e que nunca recebeu nada do contraventor. “Fui um delegado muito atuante em Águas Lindas. Apreendi mais de 400 máquinas caça-níqueis. Isso chegou a incomodar algumas pessoas, pois esse é um negócio rentável, e talvez por isso tenha sido transferido para Anápolis”, ressaltou

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