Jovens brasileiros criam coletivo para promover intercâmbio cultural entre África e Brasil

Um grupo de jovens brasileiros ligados pelo interesse comum em relação à África visitou o Instituto Lula para apresentar o coletivo “Tás a ver?”. Juntos, eles mantêm um site, produzem documentários, já organizaram uma exposição fotográfica e lançaram um longa-metragem. Todos os integrantes do “Tás a ver?” já moraram ou passaram temporadas na África. Isso, segundo a jornalista Juliana Borges, uma das idealizadoras do projeto, foi fundamental para que eles conhecessem um continente que vai muito além dos lugares-comuns geralmente ligados à África, “é um continente empreendedor, urbano, produtor de música, de cultura e de inovação”, ressalta Juliana.

Atualmente, o “Tás a ver?” está envolvido na criação de um portal brasileiro sobre cultura africana, entre outros projetos. Leia abaixo a entrevista que fizemos com Juliana Borges. Para saber mais sobre o coletivo, visite tasaver.org.

O que é o tás a ver?, como ele surgiu e o que ele faz?
O “tás a ver?” é um coletivo multimídia que articula projetos de intercâmbio cultural entre Brasil e países africanos e produz conteúdo sobre África. Ele existe desde 2010 e atualmente é formado por cinco integrantes fixos, com experiências de trabalho nas áreas de comunicação e mobilização social, e alguns colaboradores que contribuiram no amadurecimento da ideia e participam de momentos pontuais.

Todos nós do tás a ver?, sem exceção, vivemos ou já passamos longas temporadas em países africanos. Lá, vivenciamos experiências marcantes e inspiradoras. E conhecemos um continente que vai muito além dos lugares-comuns geralmente estão associados à África. Conhecemos um continente empreendedor, urbano, produtor de música, de cultura e de inovação. A África  é muito mais do que esses antigos clichês e pede um novo olhar do Brasil.

Nossa missão é estreitar os diálogos, fomentar o intercâmbio cultural, apresentar para os brasileiros aspectos da cultura africana contemporânea e aumentar o fluxo de ideias entre os dois lados do Altântico.

Em que projetos o tás a ver? está trabalhando atualmente?
Entre os projetos assinados pelo tás a ver? estão documentários, exposição de fotos e um longa metragem. Atualmente estamos iniciando a captação de recursos de um novo projeto, um portal sobre cultura africana contemporânea, também chamado tás a ver?. O site terá conteúdos sobre música, cinema e vídeo, literatura, artes visuais, destinos e comportamento, sempre com forte apelo visual. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos já existem diversos canais dedicados exclusivamente à cultura africana contemporânea, no Brasil ainda não há nenhum veículo com essas características, apesar da imensa influência da cultura africana no Brasil e do crescimento do interesse pelo assunto. Com o site, pretendemos não apenas transformar o jeito de olhar para o continente africano e articular as iniciativas de intercâmbio brasileiras com o continente que vêm surgindo, mas também aguçar a curiosidade, insiprar e surpreender o leitor.

O que sigifica a expressão “Tás a ver?” e por que vocês a escolheram para batizar o coletivo?
“Tás a ver?” é uma expressão muito usada nos países lusófonos (e também em Portugal) que significa “está vendo?”, “está entendendo?”. Achamos que ela simboliza bem uma das premissas do coletivo, que é mostrar aos brasileiros um continente inteiro que está bem na nossa frente e que nós nem sempre vemos, ou vemos sempre com os mesmos olhos.

Por que estreitar os laços com o continente africano é importante para nós, brasileiros?
Como sabemos, o Brasil tem uma forte herança cultural africana e, hoje, temos a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria. Apesar disso, o Brasil se afastou da África. No entanto, desde 2003, graças ao maior interesse político e econômico do Brasil no continente africano, esse vai-e-vem entre os dois lados do Atlântico voltou a aumentar. A nossa influência nos países africanos é enorme, sobretudo nos países que falam português, que vêem novelas brasileiras, ouvem nossa música e até imitam nosso sotaque. Por que não fazer esse caminho uma via de mão dupla? Para nós, brasileiros, reencontrar essa África moderna, globalizada, empreendedora, é uma forma de nós próprios entendermos melhor a nossa origem. No campo criativo, o contato com a África contemporânea nos permite ter contato com novas referências, sonoridades e estéticas.

O que está sendo produzido pelo continente africano hoje em termos de cultura? E por que é um universo ainda tão desconhecido dos brasileiros, apesar da forte herança da África que temos em nossa cultura?
Quem pensa que cultura africana é sinônimo de máscaras tribais está muito enganado. A produção cultural africana é rica e extremamente diversificada, uma vez que estamos falando de um vasto continente, com mais de 1 bilhão de pessoas, 1500 línguas e 800 etnias. Mas, de maneira geral, podemos dizer que a cultura produzida no continente há muito tempo deixou de ser tribal. Seja no cinema, na música ou nas artes visuais, os artistas africanos hoje são globalizados, conectados e apropriam-se de refências estéticas das mais diversas partes do mundo para produzir uma arte universal. Alguns exemplos são o afrobeat, na música, as produções de Nollywood (o cinema produzido na Nigéria), e os trabalhos de artistas como os angolanos Kiluanji Kia Henda e Nastio Mosquito, que estão circulando pelas principais feiras de arte do mundo. Tudo isso tem chegado aos poucos no Brasi por meio de festivais, exposições e parcerias entre artistas brasileiros e africanos. Mas, infelizmente, ainda de forma muito tímida.

Vejam o mais novo trabalho do tás a ver?: o vídeo Brasil: Fronteira Leste, produzido para o programa Sala de Notícias do canal Futura.

Instituto Lula.

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