Lula pede paciência e marco regulatório para integração latino-americana

O desenvolvimento dos países passa pelo desenvolvimento de sua política externa. Tendo isso em mente, o Instituto Lula organizou nesta terça-feira (28) o Encontro com Movimentos Sociais “Desafios e perspectivas da integração latino-americana”. Segundo Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula, um objetivo central deste encontro foi estudar formas de “garantir a participação de movimentos sociais e da sociedade civil, como um todo, nesse processo e evitar que a integração da América Latina ocorra apenas entre empresas e Estados da região”.

Após a fala de abertura de Luiz Dulci, o assessor especial internacional da Presidência da República Marco Aurélio Garcia retomou um pedaço do histórico da política externa brasileira, com foco na América Latina. Marco Aurélio Garcia lembrou que vivemos hoje numa região em paz, democrática, mas ainda marcada pela desigualdade. “Melhoramos em emprego e renda, mas ainda somos vítimas de uma desigualdade especialmente difícil de combater, porque temos deficiências na saúde, educação e uma violência que atinge especialmente os pobres”. Ele retomou ainda parte da história e os desafios das relações exteriores do Brasil, e cumprimentou o ex-presidente Lula, que acompanhou todo o evento. “Lula foi o responsável pela grande transformação pela qual passou o Brasil e sua política externa nos últimos anos”. E terminou com um desafio. “Eu não posso viver bem na minha rua se meus vizinhos são pobres, miseráveis. Temos de construir uma comunidade de bem-estar”.

Artur Henrique, ex-presidente da CUT, sugeriu que o Instituto Lula liderasse a tarefa de abrir esse debate para cooperação estratégica na América Latina, com papel importante dos movimentos sociais.

Fátima Mello, diretora da ONG Fase e Secretária Executiva da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip) também falou e elogiou a abertura criada pelo governo Lula para diálogo com os movimentos sociais. Ela sugeriu a institucionalização desse espaço de diálogo, para que ele seja permanente.

Depois das falas iniciais, foi aberto o debate quando diversos representantes das entidades presentes se manifestaram sobre as possibilidades e os desafios da integração latino-americana.

O ex-presidente Lula encerrou o encontro, com uma fala de 30 minutos na qual resssaltou a importância dessas discussões para, em primeiro lugar, “ter exatamente na cabeça o que queremos dessa integração, para balizar as ações futuras, sem abrir mão das outras lutas”. Lula deixou claro seu ponto de vista, de que não é possível integração sem instituições multilaterais fortes e sem o que ele chamou de “paciência” para tratar as desigualdades. “Se cobra da Bolívia o mesmo que se cobra da Suíça, isso não é certo”. O ex-presidente estimulou outras reuniões como essa, que vão gerar documentos para que outros países debatam e tragam suas próprias ideais e propostas. “Precisamos criar, com muita paciência, um marco regulatório da integração”, pediu.

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