Nobel da Paz despreza Blair, guru de Alckmin

Nobel da Paz despreza Blair, guru de Alckmin

Foto: Edição/247

Dias atrás, Geraldo Alckmin contratou o ex-premiê britânico Tony Blair como consultor, por R$ 12 milhões, para elaborar um plano estratégico; neste domingo, Desmond Tutu publica artigo arrasador sobre o britânico, a quem chama de criminoso de guerra. Título: Porque eu devo desprezar Tony Blair

02 de Setembro de 2012 às 16:28

247 – Dias atrás, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair se tornou consultor do estado de São Paulo, ao custo de R$ 12 milhões. Foi contratado pelo governador Geraldo Alckmin para elaborar um plano estratégico provisoriamente chamado de São Paulo 2030. Não se sabe exatamente o que Tony Blair tem a ensinar ao estado mais rico do Brasil, mas o bispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, sabe o que ele não tem a ensinar. Herói da luta contra o apartheid, ele publicou neste domingo o artigo: Porque devo desprezar Tony Blair. Na opinião de Tutu, Blair e George W. Bush deveriam ser julgados na corte de Haia, como criminosos de guerra – que efetivamente são. Geraldo Alckmin, provavelmente, não leu o artigo. Confira abaixo na reportagem do Opera Mundi:

Nobel da Paz diz que Blair e Bush deveriam ser julgados em Haia pela Guerra no Iraque

Do Opera Mundi – O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz e um dos heróis da luta contra o apartheid em seu país, fez duras críticas ao ex-presidente dos EUA George W. Bush e o ex-premiê britânico Tony Blair. Em um artigo ao jornal semanal britânico The Observer publicado neste domingo (02/09), Tutu diz que os dois deveriam ser julgados na corte internacional de Haia, na Holanda, “pela devastação física e moral causada pela [segunda] guerra do Iraque (2003)”.

No artigo, intitulado “Porque eu devo desprezar Tony Blair”, o líder religioso explica porque se recusou a se sentar ao lado de Blair na última semana durante uma conferência internacional realizada em Johanesburgo sobre “liderança”.

Tutu diz que os argumentos usados por EUA e Reino Unido para liderar uma coalizão internacional e atacar o país árabe foram baseados em mentiras. O objetivo seria, segundo Tutu, unicamente derrubar o regime de Saddam Hussein. “Não posso sentar ao lado de alguém que justifica a invasão ao Iraque com uma mentira”.

Leia a íntegra do artigo aqui.

“A imoralidade da decisão dos Estados Unidos e do Reino Unido em invadir o Iraque em 2003, sob a premissa mentirosa de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, desestabilizou e polarizou o mundo com uma extensão jamais vista em outro conflito na história”, escreveu o líder religioso.

Em 2003, Bush, com apoio incondicional do governo britânico, invadiu o Iraque sob a justificativa de que Saddam estaria guardando armas de destruição em massa, o que se comprovou, anos depois, que não era verdade. A invasão, no entanto, não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e rechaçada por grande parte da população mundial. Uma das grandes dificuldades dos norte-americanos foi enfrentar uma forte oposição da França e da Alemanha, tradicionais aliados.

Tutu lembra também as consequências do conflito na sociedade iraquiana de hoje. “6,5 pessoas morrem por dia em ataques suicidas provocados por explosões de automóveis, de acordo com o projeto Iraqi Body Count; mais de 110 mil iraquianos morreram nesse conflito depois de 2003, e milhões ficaram desabrigados. Até o fim do último ano, cerca de 4500 soldados norte-americanos morreram e mais de 32 mil ficaram feridos”, acrescenta.

Por essa razão, ele afirma que os responsáveis por esses números e perdas de vidas humanas “deveriam seguir o mesmo caminho que alguns de seus pares africanos e asiáticos, que tiveram de responder por seus atos diante da corte internacional de Justiça em Haia (Holanda)”, defende.

Resposta

O premiê britânico, no entanto, parece irredutível em suas convicções.  A resposta veio em seu site na internet, na qual Blair afirma que tem “um profundo respeito pela luta do Arcebispo contra o apartheir – onde estivemos do mesmo lado da luta”. “Mas repetir a velha história de que nós mentimos sobre [as conclusões dos serviços de] inteligência é completamente errado, como todas investigações independentes já demonstraram”.

Leia a íntegra da resposta do ex-premiê aqui.

O ex-líder trabalhista também disse considerar bizarro o fato de Tutu ter dito que era “irrelevante” se Saddam “era bom ou mau”, pois isso não justificaria a “moralidade” da coalizão para invadir o Iraque, citando diversos massacres atribuídos ao ex-ditador.

Outra justificativa usada por Blair foi que a economia iraquiana, segundo ele, cresceu três vezes mais do que na época do regime de Saddam, “e os investimentos cresceram enormemente em regiões como Basra”.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s