Marco Antonio Vila não passa de um inimigo de classe

Nos tempos em que eu cobri para o jornal Voz da Unidade, do PCB, as históricas greves dos metalúrgicos de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema, na Grande São Paulo, na virada das décadas 1970-1980, lembro que, no estádio de Vila Euclides, durante as assembleias que reuniam cerca de 100 mil operários cada uma, e também fora dele, os trabalhadores diziam: ‘Mexeu com o Lula, mexeu comigo”. O líder, afinal, corria risco permanente de ser preso e, a certa altura, foi o que ocorreu, tal o incômodo que o desafio representava para o regime militar. Só a cana para segurar seu ímpeto, pensaram, mas isso também não deu certo.

A ameaça a Lula, agora, vem da bossalidade irresponsável de certos articulistas. Mesmo sob o título de historiadores, como esse Marco Antonio Vila, em artigo em página nobre de O Globo da terça-feira 25, eles pregam a exceção para o ex-presidente da República, tal qual queria o regime militar que Lula, com outros – mas nem todos –, ajudou a derrubar. Vila, por exemplo, tenta jogar Lula no beco da aposentadoria precoce, dizendo que ele já “cansou”.

Cansou o que, a beleza do autor daquele traque? Só se for. A beleza dele e de, lamente-se, uns tantos preenchedores de páginas de jornal e internet com textos que pregam até mesmo o rompimento da legalidade para tirar Lula do cenário político.

Xará, eu sou do tempo do ‘mexeu com Lula, mexeu comigo’ – e, no prolongamento da história, a frase que parecia servir somente para aquele momento de enfrentamento se faz, agora, outra vez desafortunadamente, atual, apesar das bençãos da normalidade democrática. Porque outra vez personagens como você e uma turminha passadista querem alijar Lula do processo político. Vai ser sempre isso? Muito chato, repetitivo e desagradável. Isso sim cansa.

Antes do ‘vico’ apontado por Vila para Lula, um tecladista de mensagens tortas à direita já havia esperneado, irritadinho, quanto a legítima ação política do ex-presidente, pregando o rompimento constitucional para brecar seus passos e calar sua voz. Não deu para deixar barato e, para quem quiser, aqui vai meu posicionamento àquela altura, em agosto do ano passado, manifestado no espaço aberto do 247 (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/12350/Reinaldo-Azevedo-o-mais-novo-seguidor-de-Lula-o-Nosso-Guia.htm), para o qual usei como plataforma a Constituição, tal como o professor Delfim Netto fez nesta quarta-feira 26, em artigo no jornal Folha de S. Paulo.

O apelo patético feito esta semana, num grande jornal, por um historiador, para que Lula vá para casa fazer churrasco e deixe a atividade política, carimba no, digamos, articulista, a marca dos sem classe – no argumento, no estilo e do ponto de vista social. Quem tem perspectiva de classe, olhando o mundo a partir da posição de interesse dos trabalhadores, sabe que Lula representou e representa a salvação contra os demônios do atraso social. Tome-se os números, o que extraem o IBGE, o Ipea, o Caged, o Pnad etc como novo retrato da sociedade brasileira, para se entender melhor o que se quer dizer aqui.

Quanto a rebater linha por linha o texto pueril, para explicar, por exemplo, que a imagem utilizada pela senadora Marta Suplicy de que Lula é um Deus foi, obviamente, força de expressão representativa da liderança política que ele sempre exibiu, aí já é desnecessário. O chavão de que o leitor é burro nunca foi além de uma imagem igualmente forte empregada por jornalistas para nos obrigarmos a sermos didáticos. Só isso. A fragilidade de ‘Adeus, Lula’ desponta de per si.

Brasil 247 MARCO DAMIANI

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