Del Nero, filhote da ditadura

Em setembro de 1964, Del Nero, no meio, com o general Olympio Mourão Filho

Marco Polo Del Nero, vice-presidente da CBF, continua a tradição que a entidade tem desde João Havelange  de abrigar colaboracionistas de regimes ditatoriais.

Havelange, diga-se, não distinguia direita de esquerda.

A pretexto de não misturar futebol e política, fazia política sem parar e bajulava quem estivesse no poder, preferindo os autoritários, como ele.

Suas relações com o sanguinário ditador argentino Rafael Videla escandalizaram os democratas do futebol à época da Copa do Mundo na Argentina, em 1978.

Seu sucessor, foi o Almirante Heleno Nunes, posto no comando da CBF pelo governo no período do ditador Ernesto Geisel.

Nunes era presidente da ARENA fluminense, o partido que apoiava a ditadura.

É dele a famosa frase que acabou levando o Campeonato Brasileiro a ter 94 clubes em 1979: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional. Onde vai bem, um time também”.

Além de Nunes, outro filhote da ditadura que deu as cartas na CBF foi  o deputado paulista Nabi Abi Chedid, que ingressou na vida pública no partido fundado pelo integralista Plínio Salgado, o PRP, e bandeou-se para a ARENA tão logo foi possível.

Chedid era vice-presidente, mas mandava mais que o presidente Otávio Pinto Guimarães, que ganhou o cargo por ser o mais velho entre os candidatos.

Como hoje.

José Maria Marin, que também ingressou na vida pública por meio do partido de Plínio Salgado e militou na ARENA, além de ter se notabilizado pelos discursos que culminaram com a prisão e morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, manda menos que Del Nero, seu vice.

Del Nero, encalacrado agora com a Polícia Federal, diz em sua biografia oficial que lutou pela democratização quando estudante de Direito no Mackenzie, onde se formou em 1967.

Não é verdade, como é falso que ele tenha ido depor ontem na PF espontaneamente como disse em sua nota oficial, que contraria a da polícia que fala em depoimento por coerção.

De fato, Del Nero comandou uma facção de ultra-direita na universidade Mackenzie, que já era tida como abrigo dos estudantes direitistas de São Paulo, de resto, sem trocadilho, um direito de cada um.

A foto acima, seis meses depois do golpe de 1964, mostra o estudante Del Nero com o general Olympio Mourão Filho, da Ação Integralista Brasileira e um dos líderes, em São Paulo, da aventura militar que derrubou o governo eleito de João Goulart, e foi publicada na capa do jornal “Conduta”, orgão oficial do Centro Acadêmico João Mendes Jr, do Mackenzie.

Mourão foi o criador do famoso Plano Cohen, um embuste sobre suposto plano comunista para tomar o poder no Brasil que culminou no Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1937, e se dizia “uma vaca fardada”. Era mesmo.

Nero quer botar fogo em seu passado.

Blog do Juca Kfouri

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