Gabrielli: “Petrobras seria vendida aos pedaços”

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Em entrevista exclusiva ao 247, ex-presidente disse que a estatal seria fatiada entre 1998 e 2002 e seria desmembrada para os mega empresários; Gabrielli avaliou como “boa” a gestão de Graça Foster, parabenizou a presidente Dilma pela condução econômica do Brasil e mostrou indignação com o pedido de demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela The Economist; “acho muito exótico revista pedir cabeça de ministro”; sobre a divisão dos roylaties do petróleo, ele defende “um meio termo” para compensar Rio e Espírito Santo

Romulo Faro – Bahia 247

O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, concedeu entrevista exclusiva ao 247 e falou das críticas à sua gestão na estatal, avaliou como positiva a gestão de sua sucessora, Graça Foster, e fez comparativo dos momentos da empresa antes e depois do PT.

Segundo ele, as críticas não são á sua gestão, mas ao desempenho da Petrobras sob o governo do ex-presidente Lula e, “na maioria das vezes”, as críticas “são mais ideológicas do que verdadeiras”.

Sobre a polêmica em torno da nova regulamentação para a exploração do petróleo, cujo projeto foi aprovado pelo Congresso e vetado por Dilma, o ex-dirigente da estatal sugeriu que haja um “meio termo” para que Rio de Janeiro e Espírito Santo “se conformem” com o impacto da possível divisão igualitária dos royalties num futuro próximo.

Gabrielli elogiou o governo da presidente Dilma Rousseff do ponto de vista econômico com positividade também e rechaçou a publicação da revista ‘The Economist’ que sugeriu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. “É muito exótico isso”. Abaixo mais um trecho da entrevista.

247 – Como o senhor viu o pedido de demissão de Guido pela ‘The Economist’?

Acho muito estranho uma revista pedir a cabeça de um ministro, é muito exótico isso. Não é uma coisa usual. A revista deve ter suas razões, que eu não quero especular. Mas é muito exótico uma revista como a The Economist pedir a cabeça de um ministro.

Como se define o momento econômico do país?

Eu acho que a política econômica da presidenta Dilma é correta na medida em que ela busca reduzir a taxa de juros, que ela busca uma intervenção na gestão do câmbio, de forma que o câmbio não tenha um efeito deletério e na medida em que ela procura desonerar o custo tributário de setores que são altamente empregadores na mão de obra e que podem estimular o crescimento. Nesse sentido, é uma política macro econômica correta para atender a crise atual, é uma política expansionista, é uma política que visa estimular o crescimento da economia, principalmente considerando que nós temos pouca restrições hoje na questão do acesso a reservas internacionais. Isso não quer dizer que essa política não precisa de alguns ajustes, particularmente no que se refere a questão federativa. Essa política é assimétrica em termo de seus efeitos sobre os diversos estados e sobre as diversas regiões. Para os recebedores de fundos de participação estaduais por exemplo, essa é uma política que reduz as transferências e cria um agravamento da situação fiscal dos estados e municípios que recebem recursos.

E a polêmica com a distribuição dos royalties do petróleo?

O veto da presidente retoma uma situação anterior de concentração dos royalties na mão no Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A discussão que há no Congresso hoje é de buscar encontrar um meio termo entre o que estava na lei que distribuía radicalmente os royalties para os estados não confrontantes para uma situação intermediária para que esse processo ocorra ao longo do tempo para que Rio de Janeiro e Espírito Santo se adaptem a uma redução do crescimento da receita com os royalties. Acho que o caminho seria procurar o meio termo.

Como é a Petrobras dirigida por Graça Foster?

Boa. Uma gestão muito voltada para dentro da empresa, muito voltada para aumentar a eficiência na gestão de um pacote de projetos que praticamente é o mesmo da minha gestão. Do ponto de vista estratégico não mudou muito. Mudou a forma de gerir, o que é positivo.

O que é positivo nessa mudança?

Não vou entrar mais em detalhes sobre isso. Estou há dez meses fora da Petrobras. Como é que eu posso ficar avaliando a Petrobras?

E as críticas que o senhor vem recebendo sobre o período à frente da empresa?

Críticas são críticas vindas de todos os lugares. Justas ou injustas elas têm direito de ser publicadas. Eu acho que são mais ideológicas do que reais e a crítica não é a mim, é ao modelo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. O pessoal acha que a Petrobras deve ser diminuída. Eu acho que a Petrobras tem que crescer porque o papel dela é importantíssimo para a economia brasileira. A origem disso é do período pré-governo Lula. A origem da maior parte das críticas da dita imprensa e dos ditos analistas. São as viúvas do tempo que a Petrobras estava sendo preparadas para ser fatiada, para ser vendida em pedaços, mesmo que o ex-presidente Fernando Henrique tenha dito recentemente que não concorda com isso. Mas era isso objetivamente o que estava sendo feito entre 1998 e 2002. E com o presidente Lula isso mudou. A Petrobras cresceu, se fortaleceu e saiu de 14 bilhões de dólares de valor de mercado para mais de 380 e hoje está valendo mais de 250 bilhões.

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